Páginas

sábado, 30 de junho de 2012

Um Dia...




     Um dia eu tive um cavalo. Ele saltou para cima de mim quando abri um livro. Perguntei-lhe quanto tempo havia passado escondido ali, adormecido e esquecido: ele simplesmente não respondeu.
     Um dia eu tive um cavalo. Ele tentou se tornar denso para que eu o montasse, mas não pude cavalgá-lo: ele era sutil demais para isso.
     Um dia eu tive um cavalo. Eu me tornei essência, tão puro quanto os meus sentimentos. Montei nele e cavalgamos por vales e montanhas, atravessamos riachos e as gotículas de água encharcavam aos poucos nossas peles.
     Um dia eu tive um cavalo. Tornamo-nos tão intangíveis que as esperanças nos envolveram em seus mantos, o mundo era denso demais para nós, tanto que nos misturamos à natureza, até que voltamos para o livro. E então a história passou a ser outra história, com outro nome. E o cavalo dizia nessa história:
     —Um dia eu tive um dono.

Nenhum comentário:

Postar um comentário