Bem, mais uma etapa cumprida. Gostaria de ressaltar que a qualidade dos poemas não é tão boa, pois não é a minha especialidade. Agradeço a compreensão de todos que os leram e mais ainda aos que não o fizeram. Eles são parte da minha história de vida, mas não preciso gostar deles. Eu os digitei e publiquei apenas para registra-los antes que
se perdessem, poi alguns estavam em papéis que já estavam bem degradados. Por isso, recomendo apenas os contos. Até a próxima.
domingo, 15 de julho de 2012
Sempre Odiei Meus Pais
Sempre
odiei meus pais. Quando eu queria faltar à escola para dormir mais ou ir à casa
do Serginho brincar eles me proibiam. Quando já mais velho queria sair de casa
sem dizer para onde ia, meus pais brigavam comigo e diziam que se acontecesse
algo não saberiam onde me procurar.
Quando
comecei a sair com os amigos e o Rafael me chamava para ficar até de manhã na
boate, eu dizia que não podia porque meus pais brigariam comigo.
No
dia em que vi, saindo para ir ao zoológico, o pai do Rafael brigando com ele
por chegar de manhã completamente bêbado, pensei: “Velho ridículo! Rafael sabe
muito bem o que faz!”. Comentei com os meus pais e eles concordaram com o pai dele.
O
Cléber sempre me chamou para ir às festinhas que organizava onde ele transava
com muitas mulheres sem camisinha e usava drogas injetáveis. Meus pais nunca
deixaram.
Quando
fiz dezoito anos e não servi às Forças Armadas, meus pais exigiram que eu ou
fizesse um curso profissionalizante ou arrumasse um emprego.
Odiei
tanto os dois que chorei trancado no meu quarto. Assim, quando levei para casa
o meu primeiro cigarro de maconha ele foi prontamente encontrado e destruído.
Nova bronca, e eu chorei de ódio outra vez.
Hoje
estou escrevendo este texto como alerta aos pais, que estimulados por um
batalhão de psicólogos, pedagogos e cientistas de 5ª categoria, os mesmos cujos
filhos frequentam o noticiário policial diariamente, dizem sempre sim aos seus
filhos ou acreditam que apenas conversar e deixa-los a cargo da escola resolve
os problemas.
Serginho
morreu ao cair de um poste onde subia para furtar fios elétricos.
Meus
amigos que passavam a noite nas boates morreram quando o carro dirigido por
Rafael, bêbado, esborrachou-se contra um pilar de viaduto e foi cortado ao meio.
Cléber
teve três filhos soropositivos com três mulheres diferentes e provavelmente
contaminou muitas outras, inclusive alguns homossexuais.
Graças
ao curso profissionalizante que fiz, entrei numa multinacional como estagiário,
enquanto fazia faculdade de administração à noite. Formado, estagiei por lá
mesmo e hoje sou executivo da empresa. Meu primeiro filho acaba de nascer e as
certezas que tenho são de que não odeio mais os meus falecidos pais e, como
eles, me esforçarei muito para que o meu filho também me odeie.
Mudanças
O
café caía na xícara enquanto Miles sonhava: um novo emprego, uma nova vida se
descortinava à sua frente. Engoliu o café de um único gole, pegou o quepe preto
e a lanterna e antes de sair do alojamento, deu uma boa olhada na foto da
mulher, Anne, que estava muito feliz de ele ter conseguido um emprego após
quase um ano procurando. Desceu os poucos degraus que o separavam do pátio e
conferiu a cerca eletrificada em busca de alguma alteração. Nada.
Começou
a sua ronda noturna em busca de algo estranho sem, contudo, encontrar nada mais
do um morcego voando entre os prédios ou um gato vadio tentando conseguir um
pouco de carne de graça. Miles admirava-se com os altos e espaçosos galpões e
com a estrutura da indústria. Estava também muito feliz e enviou fotos da
empresa para os amigos por e-mail para comemorar.
Passando
pelo frigorífico, ouviu um som comum em instalações como aquelas: o som das
facas roçando os ossos era mais do que normal, mas durante o dia. Eram 22:47 e
não havia empregados trabalhando, ou pelo menos não deveria haver.
Foi
andando pé ante pé para garantir que quem estivesse lá não o escutasse. O seu
palpite era correto: o som vinha do galpão de desossa. Aparentemente algum
funcionário resolvera fazer um serão não autorizado e era o seu dever e função
impedir.
Havia
alcançado o portão de entrada e o som se tornara mais forte e mais frenético,
como se aquela pessoa se houvesse enfastiado e movesse a faca a esmo, sem
preocupação com o resultado. Poderia ser alguém querendo sabotar o serviço
inacabado de alguém.
Miles
teve então uma ideia: deveria fotografar a cena como prova num eventual
processo de demissão. Então foi pela lateral do prédio, alcançando a entrado do
duto de ventilação e se esgueirou por ele até que tivesse uma visão exata dos
acontecimentos.
Teve ânsia de vômito ao ver o que se
desenrolava no recinto: de fato era um funcionário, o encarregado Sonny Bertoli
desossava uma carcaça...humana enquanto devorava, crus mesmo, os pedaços
retirados.
O
corpo estava pendurado de cabeça para baixo pelos pés e a pele fora descolada
do tronco como um pulôver que pendurado à altura do peito, escondia o rosto.
Tinha
a impressão de que era o corpo de uma mulher, que obviamente não seria uma
funcionária, uma vez que lá não trabalhavam mulheres. Ele deveria ter capturado
aquela vítima fora dali, talvez uma passante, quem sabe uma mendiga.
Miles
pegou o celular para fotografar a cena, mas esqueceu do flash. Quando viu o
flash, o encarregado olhou imediatamente na direção da grade. Miles, descoberto,
passou a fugir para salvar a própria vida. Ficou um segundo preso por uma farpa
do revestimento interno do duto, o suficiente para que Sonny se aproximasse
bastante dele. Correndo como jamais fizera antes, conseguiu abrir novamente
vantagem, subindo pela escada da grua de desembarque, entrando na cabine e
trancando a porta. Sonny, o encarregado, estava disposto a dar a Miles o mesmo
destino da infortunada mulher. Mas Miles não venderia tão barato a sua vida;
percebeu que o gancho da grua estava bem encostado em um tonel empilhado atrás do
assassino. Seria a sua última cartada, teria que funcionar.
Apertou
a alavanca de avanço e o gancho empurrou o galão, que caiu em cheio sobre
Sonny. Morte instantânea. O portão se abriu e o patrão, Walt Cherkowsky, entrou
e correu na direção do corpo. Quando Miles chegou ele disse:
—
Quem fez isso com ele? Foi você?
—
Fui eu, senhor Cherkowsky. Eu o vi devorando o corpo de uma mulher na sala de desossa
então ele correu atrás de mim para me matar. Consegui derrubar o tonel em cima
dele com a grua.
—
Seu celular está tocando. — disse o patrão.
Miles
ficou lívido quando leu a mensagem: “Miles, Anne está com você? Ela saiu de
casa dizendo que iria lhe fazer uma surpresa levando um bolo e ainda não
voltou. Sabe se ela vai demorar? Sua sogra”.
—
Ela não teve tempo nem de gritar. Nós a trouxemos sem que você percebesse pela
entrada secreta.
O
golpe da lâmina foi certeiro no pescoço de Miles. Caído no chão com o telefone
ainda na mão, o sangue jorrou da jugular até que a sua vida se esvaísse com
ele.
Identidade
Será
inesquecível
O
seu olhar de mistério;
Emanação
de energia
Constante
em mulheres solitárias.
Duas
personalidades,
Dois
destinos,
O
charme paira no ar,
Trazendo
consigo
Um
enigma:
Você
existe mesmo,
Ou
será uma fantasia da minha imaginação?
Mas
você segue impenetrável
Imune
é seu interior
A
todos os olhares alheios.
A
beleza da simplicidade
De
quem conquista
Sem
querer,
Sem
saber,
O
coração dos outros.
Impera
dentro de mim
Uma
força maior do que a razão;
A
noite é quente, a quinze graus suo,
O
corpo ferve, não durmo.
Sua
ausência
Esvai
minhas forças,
E
lentamente
A
energia vital
É
sugada, comprometida.
Relógio
Relógio
Amigo
e inimigo
Aliado
e oponente,
Serve-me
de tela
Onde
se projeta um filme
No
qual você é a estrela.
Novos
momentos de conversa,
Seus
segredos, meus segredos,
Estrelas
transmutavam-se
De
ursos em violões
E
destes em bolas de vôlei...
E
aquele amor
Sobrenome
de amizade,
Resistiu
a treze longos meses
E
está pronto para crescer
E
lhe envolver novamente.
Espero
que me aceite...
Fiquei
longo tempo distante
E
voltei para você
Sincero,
Devotado,
Carente,
Mas
esperançoso
De
que você ainda me ame.
E
no relógio baterão as horas que quisermos.
30/04/1998
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