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Escrevendo & Postando
sexta-feira, 25 de outubro de 2019
quarta-feira, 2 de outubro de 2019
Tu me Tiras o Ar
Tu me tiras o ar.
Quando sorris, quando me vês,
Quando olho nos teus olhos,
Vejo a imensidão do Universo.
O escuro em que me perco,
Os caminhos que percorro
Sem volta,
Sem parada.
Roubaste a minha paz,
O meu sono, o melhor de mim,
Sou teu, não posso negar,
E tu me tiras o ar.
Meu peito é ferida aberta,
Que não supus possível;
“Ledo engano, meu caro:
Sempre há mais chagas
Que suporta a bomba da vida.”
Ouço a voz.
Suportar a dor, ir sem medo
Por caminhos
Cobertos de um veneno
Terrível, mas doce como mel.
E tua boca fala,
E tuas palavras são canções
Que meu pobre coração
Ouve, bêbado, enlevado.
Ó doce sina!
Tornar-me novamente teu apaixonado
A cada sorriso,
A cada gesto,
Tu me tiras o ar.
segunda-feira, 8 de abril de 2019
Mais uma vez
Mais uma vez lembrei de ti
Vendo o pôr do sol na praia
Atirando conchas ao mar
Que batem com força e afundam.
Por que insisto em pensar
Em ti?
Não há mistério nisso,
Só um coração angustiado
E a loucura de te amar
Com a energia de mil sóis
Contida em um corpo
Meramente humano?
Onde estás?
Acaso vês os céus alaranjados e vermelhos
E pensas em mim?
Ou sou apenas alguém que
Lembras, vez por outra,
Nos momentos de tédio?
Triste é saber que talvez seja para ti
Uma curiosidade,
E que haja dias em que não te lembres de mim
Ao passo que não há minuto
Em que eu te esqueça.
E mais uma vez o sol se põe,
No horizonte
E na minha alma.
Vendo o pôr do sol na praia
Atirando conchas ao mar
Que batem com força e afundam.
Por que insisto em pensar
Em ti?
Não há mistério nisso,
Só um coração angustiado
E a loucura de te amar
Com a energia de mil sóis
Contida em um corpo
Meramente humano?
Onde estás?
Acaso vês os céus alaranjados e vermelhos
E pensas em mim?
Ou sou apenas alguém que
Lembras, vez por outra,
Nos momentos de tédio?
Triste é saber que talvez seja para ti
Uma curiosidade,
E que haja dias em que não te lembres de mim
Ao passo que não há minuto
Em que eu te esqueça.
E mais uma vez o sol se põe,
No horizonte
E na minha alma.
quarta-feira, 17 de janeiro de 2018
Memórias
Cansei de olhar pela janela,
De buscar a sua silhueta
Na áspera cortina de folhagens
Do jardim vizinho...
De entristecer-me
Ao ver que você não virá.
Lembrar de vê-la atravessar a relva,
Trazendo consigo o meu sorriso,
Erguendo os meus olhos do chão,
É lâmina que fere o meu peito,
Profunda e dolorosamente.
Sinto falta da sua voz sussurrada,
Do abraço apertado,
Do riso fácil que dissipava as minhas trevas,
Da minha alegria refletida nos seus olhos...
Seus longos cabelos
Voluteando ao vento,
Envolvendo o meu pescoço
Criando laços em minh’ alma,
Que o tempo não desfará...
Por onde anda você,
Que se foi em prantos,
Que me deixou em prantos,
Que levou a felicidade
Impregnada com as minhas lágrimas de desespero
Num casaco jeans?
Vivo remoendo essas imagens,
Que não fui capaz de apagar
Da minha memória.
Sabendo que jamais tornarei a vê-la,
Quando e como esquecerei você?
De buscar a sua silhueta
Na áspera cortina de folhagens
Do jardim vizinho...
De entristecer-me
Ao ver que você não virá.
Lembrar de vê-la atravessar a relva,
Trazendo consigo o meu sorriso,
Erguendo os meus olhos do chão,
É lâmina que fere o meu peito,
Profunda e dolorosamente.
Sinto falta da sua voz sussurrada,
Do abraço apertado,
Do riso fácil que dissipava as minhas trevas,
Da minha alegria refletida nos seus olhos...
Seus longos cabelos
Voluteando ao vento,
Envolvendo o meu pescoço
Criando laços em minh’ alma,
Que o tempo não desfará...
Por onde anda você,
Que se foi em prantos,
Que me deixou em prantos,
Que levou a felicidade
Impregnada com as minhas lágrimas de desespero
Num casaco jeans?
Vivo remoendo essas imagens,
Que não fui capaz de apagar
Da minha memória.
Sabendo que jamais tornarei a vê-la,
Quando e como esquecerei você?
quarta-feira, 30 de agosto de 2017
Regresso
David passou a mão pelos cabelos negros, apreciando o contato dos fios sedosos que se infiltravam entre os dedos como um lago singrado por um barco, a água o envolvendo e passando rápido, logo reunindo-se à frente e deixando para trás os desenhos em relevo do casco de um bote de madeira.
Tomou o barbeador, e após passar a espuma com o pincel, começou a fazer a barba com pressa, pois precisava correr para pegar o avião para Dublin.
Lá fora o vento sacudia as árvores para todo lado, raminhos apontavam para o céu como dedos clamando por sol e calor, ajuda contra o frio cruciante. A neve não cobrira a cidade, a velha brancura não abrira suas asas nem deitara como sempre sobre justos e ímpios, ricos e pobres.
Birminghan era especialmente fria. Em breve, inexoravelmente, toda a cidade seria engolida pelo manto branco, então a estrada para o aeroporto ficaria interditada. Precisava apressar-se.
Pegou o casaco, casca de um fruto formado de vários suéteres e um colete. Sentia-se incomodado em usar tantas roupas, o que restringia muito os seus movimentos. Sair de casa para ele era um suplício, por essa razão havia feito a opção de trabalhar no estilo SoHo havia dez anos.
Não podia afirmar que tinha muitos laços de amizade na vizinhança, devido à vida que levava, de molusco sempre encerrado em sua concha. De alguma forma, a trágica morte de Anne havia contribuído para isso: ele havia se fechado em seu mundo de computadores que se dispunham como uma redoma que englobava a sua mesa.
Lembrava-se como se fosse hoje: havia saído para andar um pouco deixando a esposa dormindo. Parara um minuto para admirar os cabelos ruivos como a relva seca de outono que cobria o platô onde a sua família havia construído a casa cento e cinquenta anos antes.
O quarto todo decorado em rosa como ela quisera anos antes lhe causava claustrofobia, pois tinha problemas com a necessidade de Anne em superexpor a sua feminilidade já flagrante. Aquela profusão de rendas, tecidos brilhantes e frufrus surgira da impossibilidade de gerar os filhos que ela tanto sonhava. Adotar jamais fora uma opção, pois ela jamais admitiu adotar.
Haviam mudado para a casa solidamente postada na beira do penhasco, onde o barulho das ondas lá embaixo servia como um tranquilizante natural. Anne melhorara pouco desde então.
Algo não corria bem com ela naqueles tempos. Pesadelos, gritos durante a madrugada e noites em claro denunciavam que pouco a pouco a mulher que David amava estava se deteriorando física e mentalmente.
O fato de querer se desfazer dos cavalos que tanto amava era um indicador de que algo terrível estava para acontecer, mas Anne se recusava a admitir que estava caminhando a passos largos para a aniquilação.
Quando voltava do seu passeio, David viu um bando de pássaros voando em torno da casa, e logo pôde identificar que eram corvos. Num átimo percebeu que poderia ter acontecido algo com a esposa. “Corvos atacam cadáveres”- pensou.
Irrompeu a correr na direção da casa, as pernas roçando na relva seca, já não se importava em tropeçar nas pedras, tendo como destino a porta da frente, a escada para o quarto dela, subindo sobre o fio de esperança que dizia que ele estava enganado.
Logo sua ilusão dissipou-se como todas as ilusões. Na mesma posição que a deixara, Anne jazia exangue, enquanto o precioso líquido vermelho que suas veias dos pulsos haviam vertido formavam dois pequenos rios que imiscuíam-se nas frestas do assoalho de tábuas corridas que ele sempre prometia, mas jamais calafetou.
Talvez ela tivesse escondido o bisturi sob a cama e cortado os pulsos durante a noite, estando já morta havia horas. David admirando os cabelos que tanto amava, não conseguiu perceber o sangue já coagulado no chão antes de sair.
Ela estava morta e os corvos haviam sentido o cheiro do sangue. Os pavorosos pássaros tentavam a todo custo entrar pela janela, buscando uma pequena porção do que pra eles era alimento, despidos totalmente da noção de que aquilo que tanto desejavam havia sido um ser humano, totalmente desapercebidos do quanto havia sido amada.
David caiu de joelhos, os olhos embaçados de lágrimas, e derramou o pranto mais doloroso, convulso e sofrido de toda a sua vida. Houvesse algo que pudesse guindar a esposa de volta à vida, seriam a dor e as lágrimas de David.
Acordou daquelas lembranças e percebeu que estava na contramão da estrada, a tempo de evitar um acidente. Estava chegando ao aeroporto. Alguns minutos depois, percorria a Coventry Road, virando à direita para a Viking Road e indo dela ao estacionamento.
Dirigiu até o estacionamento, onde deixou o carro ao lado de um Aston Martin preto.
Saiu arrastando a mala de rodinhas e entrou no elevador. Feita toda a práxis de embarque, foi pelo corredor sanfonado até o avião que decolaria em uma hora. Este item de mobiliário para ele sempre era um desafio a vencer, pois sempre corria para embarcar, e a sensação de entrar nele era estranha.
Dormiu a viagem toda, e despertou com o enorme pássaro batendo as rodas do trem de aterrissagem no chão, o clássico ruído das rodas derrapando um pouco na pista de asfalto.
A viagem por intrincadas estradas que serpenteavam pelas encostas foi tranquila. David pudera ver os malditos pássaros eternamente vestidos de luto voarem nas laterais do carro alugado, aparentemente desconhecendo que o homem ali sentado pretendia um dia caçá-los até que os seus crocitares jamais fossem ouvidos novamente naqueles vales e platôs.
A casa estava vendida, mas ele pretendia erradicar as aves de mau agouro antes da entrega das chaves à compradora. Havia um ano que Anne se fora, e David fora até a casa parcas vezes. Certa vez havia esquecido dela.
O telefone tocou:
— Boa tarde, Mr. MacDermott. Sou Linda Freehan, a compradora da sua casa. A senhorita Lindsay disse-me que o contataria nesse número...
— Sim, senhorita Freehan. Sou David MacDermott. Está com os documentos? Pretendo assiná-los hoje mesmo.
— Há alguma razão especial pra querer se livrar tão rápido da sua casa, senhor MacDermott? —perguntou a mulher, com voz intrigada.
David começou a tentar explicar, até que percebeu que ninguém o ouvia do outro lado da linha. O telefone celular estava totalmente mudo.
Mais quinze minutos e divisou, sentada na varanda, uma mulher ruiva, com os mais belos olhos verdes que David já vira na vida. Estava usando roupas de inverno, mas ele pôde perceber que tinha belas formas sob todo aquele tecido.
Parou o carro e andou desanimadamente em direção àquela mulher deslumbrante, que lembrava Anne. Havia uma cadeira ao lado dela, na qual ele se sentou.
— Desculpe, mas não resisti e pesquisei na internet a história da sua família. Sei porque está vendendo a casa. Ela lhe traz recordações dolorosas...
— Senhorita Freehan, a história da minha família ou o que quer que tenha acontecido nesta casa é passado, e diz respeito apenas a mim. Restrinja-se a selar o negócio que viemos fazer.
— Venho lhe observando há meses — disse ela se levantando e se postando atrás da cadeira de David — secretamente fui interessando-me por você, e quis comprar a casa na intenção de convencê-lo a morar aqui comigo.
Linda dizia isso enquanto massageava os ombros de David, que por poucos momentos deixou-se levar pela sensação agradável, mas logo teve um ataque de fúria:
— Você enlouqueceu? Morar na casa onde a minha esposa suicidou-se? Morar com uma desconhecida e ainda por cima com uma mulher parecida com Anne? Jamais!
— Você vai gostar de mim, querido! — disse ela com raiva, enquanto desferia uma coronhada fortíssima na cabeça de David, que viu a luz do dia deixar de repente os seus olhos, sem que tivesse tempo de esboçar qualquer reação.
Acordou amarrado em sua cama, com Linda em pé em frente a ele, com um sorriso largo nos lábios.
— Dormiu bem, querido? — perguntou, não conseguindo conter a gargalhada.
— O que quer comigo? Ai! A minha cabeça dói!
— Confesso que eu o queria, mas agora creio que você é fraco demais pra ser meu homem. Vou fazê-lo assinar os papéis, depositarei o valor da compra na sua conta e vou fazê-lo sumir. Isso não vai despertar suspeitas.
— Não vai sair-se bem dessa, Freehan! O tabelião está vindo para a assinatura dos papéis! Ele vai chamar a polícia!
-— Vou forçá-lo a me ajudar. Tenho a filha e a esposa dele como reféns em um local secreto. Ele vai fazer o que quero ou o meu cúmplice mata as duas. Ele vai fazer o que eu quiser.
O som de um carro estacionando fez com que Linda virasse repentinamente a cabeça em direção à janela.
— É ele! Ele já sabe o que tem que fazer. Adeus, senhor MacDermott! Vou deixá-lo agora.
Desceu as escadas, encontrando o tabelião logo que chegou ao último degrau.
— Está tudo pronto, Dempsey?
— Sim, senhora.
— Onde está ele?
— Lá em cima, no quarto. Ele vai colaborar.
— Não precisa. Eu já imitei a letra dele em várias situações.
— Então David é totalmente dispensável?
— Sim. — disse o homem, pensando em uma maneira de sair dali vivo.
— Então posso ainda me divertir antes de matá-lo. Que oportunidade!
Subiram as escadas. Os dois entraram no quarto, Dempsey com o livro de registro e Linda com a pistola 45 na mão.
— Assine a venda! — disse Linda, olhos vermelhos, a beleza angelical substituída por uma expressão de ódio.
— Acha que não sei que vai me matar? Não vou assinar nada. — respondeu David, decidido — O que você fez com seus ex-maridos? Vai dizer-me que estão todos vivos?
— Ele pode falsificar a sua assinatura. Já que não quer assinar e manter a sua dignidade, vou matá-lo como a um rato. — sentenciou a mulher, após virar rapidamente a cabeça na direção de Dempsey.
Pôs o contrato sobre a cômoda, Dempsey tomou da caneta e assinou em lugar de David. Ela sacou uma seringa e ordenou:
— Dempsey, injete nele esse tranquilizante. Tenho uma banheira cheia de ácido para dissolver o seu corpo. — disse enquanto olhava para David com um sorriso sádico.
Retirou-se para guardar os papéis no carro. Desceu as escadas lentamente, passando os lindos olhos verdes pela decoração, saboreando a vitória.
A pasta caiu da mão e os documentos espalharam-se, alguns voando levados pelo vento que entrava pela porta escancarada.
Linda não soube o que a atingiu. Viu um sapato ao seu lado, e pensou que fosse Dempsey. Não percebeu que um tabelião em serviço não usaria mocassins e jeans. A pancada na cabeça foi fortíssima, o ruído foi alto, claramente ouvido.
Acordou com uma dor horrível na cabeça. Esforçou-se para abrir os olhos e perscrutou o recinto. Estava sentada e amarrada numa cadeira e podia sentir que o cabelo estava endurecido, logo compreendendo que era sangue do ferimento causado pela pancada.
Estava no banheiro. Sentiu que era observada, e só pôde soltar um grunhido quando avistou David e Dempsey parados na porta, olhando-a atentamente. Estava quase morta, sentindo um cansaço enorme.
Havia perdido muito sangue. Fora uma idiota em acreditar que Dempsey ficaria a seu lado para proteger a esposa e a filha. Sua maestria em corromper pessoas humildes também não funcionaria desta vez. Desceu os olhos, percebendo que estava amarrada. Havia sangue por todo lado, inclusive no seu corpo.
Subitamente lembrou-se de que havia ácido na banheira; se estavam no banheiro, era para que David fizesse com ela o que ela queria fazer com ele. “O feitiço virou contra a feiticeira”, pensou.
— Então eu vou me derreter por você, não é? — disse, a voz saindo meio rouca por causa da fraqueza.
— É verdade. Vou fazê-la fluir. Disparou uma gargalhada pavorosa.
— Veja, solte-me e eu não me vingarei, ok? Só quero ir embora pra minha casa pra cuidar desse ferimento.
— Você vai ofender a minha inteligência de novo? Já fez-me de palhaço uma vez e vai tentar de novo? Tenha paciência!
— Não pode me culpar por tentar. Vai usar a minha banheira mesmo?
— Claro! Já que você fez a gentileza de enchê-la pra mim, nada mais justo que eu seja cavalheiro e a deixe ir primeiro...
Linda teve um calafrio. Nada indicava que ele a mataria antes, provavelmente ela se derreteria, sentindo dores atrozes enquanto a morte não viesse. Decidiu que adiaria ao máximo o martírio, à espera de um milagre.
“Se pelo menos pudesse chegar a um celular, poderia pedir ajuda”, pensou. Olhou em volta e para a porta, quando David disse:
— Não há escapatória. Sei no que está pensando. Todos os celulares estão escondidos.
— Faça logo o que tem que fazer! — David tentou se aproximar — Espere! Antes uma curiosidade: o que houve com a sua mulher?
— Ela estava com uma depressão profunda, e morreria em breve. Eu só abreviei o seu sofrimento.
— Mas você disse que a encontrou morta!
Eu sou Caim, não sou David! David a encontrou morta, mas quem matou fui eu. Ele não sabe que eu existo. Sou bonzinho. Todos têm que morrer um dia, eu só evito que esperem demais.
Mais uma gargalhada insana. Isso dificultava as coisas. Pensou que estivera tratando com um David assassino, mas era pior: uma personalidade alternativa assassina.
O pior castigo para um serial killer como ela era virar presa de um igual. Caim a pegou e colocou dentro da banheira, ignorando os seus gritos. Não havia viv'alma por perto para ouvir os seus gritos.
Enquanto via o tronco e o rosto de Dempsey e de Caim aparecendo para olhá-la em seus estertores, via as faces das suas vítimas passarem diante dos seus olhos. Em seus últimos momentos, fez um agradecimento, não sabia a quem, por livrá-la daquela compulsão de matar.
quarta-feira, 10 de maio de 2017
terça-feira, 9 de maio de 2017
O Que Restou
Foi o que restou:
Lábios que não tocamos,
Corpos que não envolvemos
Lençóis que não sujamos.
Noites que não compartilhamos
Estrelas que não contamos
Declarações que fiz
E não recebi.
Um presente de distância
Um futuro de ausência
Um amor que vivi
Mas somente eu senti.
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