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sábado, 30 de junho de 2012

A Deusa da Floresta



A eterna deusa da floresta
Ensinou-me a ser feliz;
Levou-me até o cerne das coisas,
Mostrou-me o amor
Em todas as concepções.

Sobreveio o encantamento,
E a vida era mais fácil.

Em todos os planos
Vivi, pensando e vivendo o amor.

Sobreveio a dor,
Que o vento não levou,
Que o medo guardou
Reclusa em meus olhos.

E hoje,
As lágrimas não mais me pungem,
A dor não mais me atormenta,
Pois a vida corre, célere e lenta,
Em direção ao amargo fim.


...


...

Já cansei de buscar razões
Para tudo o que se passou;
A explicação me foge
E me torno prisioneiro do sofrimento.
Sofro tanto sem você,
Que às vezes me sinto perdido
E procuro saídas
Em outras pessoas:
É inútil.
Só em você
Eu vejo a saída.

Você me viciou
Em seu toque,
Em seu carinho,
Em seu beijo;
Condicionei todos os meus reflexos
Em função de lhe dar amor;
Todas as vezes que você me chama,
Quase lhe chamo de “meu amor”.

Pensei que distante,
Poderia esquecer tudo
Você pode ter pensado
Que lhe fui indiferente,
Mas me fechei numa concha
Que foi tão frágil
A ponto de se partir
Na primeira vez que chorei por você.

Tentei gostar de outras,
Mas só consegui depressão e angústia
E isso é tão constante
Que nem lembro mais
Da última vez que não senti a angústia me corroer;
Pois eu e ela somos companheiros constantes.

E nesse meu desespero,
Iludo-me e sonho
Com a sua volta;
É uma esperança que se desfaz,
Quando acordo à noite
Busco por você e não lhe encontro.

Minhas lágrimas, agora poucas,
Incham meus olhos e meu rosto,
E afogam as últimas esperanças de felicidade.

Amo você,
E espero a sua volta.

Pode ser que um dia,
Você descubra que também me ama,
E que estava errada em ficar com outra pessoa.
E meu mundo sem cor e sem brilho,
Colorir-se-á e brilhará,
Quando finalmente você voltar.

Tórrida




Tórrida
Vejo-a brilhar numa estrela
Fico feliz só por vê-la
Tomar o meu coração

Tórrida
Como os raios do sol no equador
O clima ideal para o amor
Ó dona do meu coração

Noites de alegria
Fazem poesia
A todo o momento
E trazem a energia
Nas asas do vento
Tórrida...
Tórrida...
Tórrida...
Aqueça a minha vida!

A Arca



— Quanto tempo nós temos?
—Três meses. Mas precisamos evacuar o planeta o quanto antes. O Sol já começa a sua expansão e isto aqui em breve vai se tornar um verdadeiro inferno.
— Sobrou algo para levar?
— Não. Todos os vestígios da nossa civilização serão apagados de qualquer modo. O próprio planeta o será.
—Ainda bem que recolhemos amostras de todos os animais e vegetais para leva-los conosco.
— Veja só: estão entrando.
Como se adivinhassem a catástrofe iminente, os animais entravam nas naves, lado a lado, em casais, resignados a serem salvos pelos mesmos seres que os perseguiram desde pisaram a Terra. Não houve nenhum caso de ataque de animais durante a evacuação. Eles simplesmente passavam e se acomodavam nas naves sem emitir qualquer som. Com o tempo os cientistas já os tratavam como animais domésticos, tal a sua docilidade. Tigres, leões, ursos e outros ocupavam docemente os seus lugares nas naves.
Através do mundo, expedições os recolheram e embarcaram nos transportes que os têm levado até a Arca II. Os vegetais seguem logo atrás em naves especiais, junto com os bancos de sementes e de DNA, estes congelados em nitrogênio líquido. A operação toda era seguida de perto pelos olhos zelosos dos cientistas.
— Arnak, diga sem rodeios, há esperança para nós?
— Watus, tudo indica que sim. Mas seria melhor se apenas os animais e vegetais sobrevivessem.
— Você defende que não sobrevivamos como espécie?
— Watus, o Universo é cíclico: a nossa raça emigra a outros planetas, destrói-os e sobrevivem apenas os cientistas,  que empreendem nova emigração.
— Não diga isso! É absurdo!
— Não é absurdo; é fato comprovado. Eles povoam o novo planeta para que tenhamos uma nova chance; então escondem o conhecimento dos descendentes para que estes se desenvolvam intelectualmente. Aprendem muito, inclusive paralelamente a findar e salvar vidas, mas dão preferência à primeira atividade.
— Não há como parar isso?
— Sim. A extinção. O talento para a destruição é inerente ao ser humano; parece que há uma predisposição a isso.
— Como pode saber dessas coisas? Está especulando novamente?
— Eu bem sei que especular é um talento meu, mas dessa vez eu tenho provas. Lembra da lenda de Atlântida?
— É claro. Quem não ouviu essa lenda?
— Perdoe-me por discordar de você. Ela foi encontrada há um ano. Nela, estavam arquivos em forma de disco, semelhantes aos de Bairan-Kara-Ula*; eles são compostos de uma liga desconhecida, que bombardeados com micro-ondas produzem uma perturbação da luz visível que se transforma em imagens, enquanto a vibração dos discos nos dá o som. Lá estavam registradas as variadas fases da nossa espécie através do Cosmo. De planeta em planeta, a nossa evolução é a mesma. É como se fôssemos programados para isso.
— São aqueles discos ali?
— Não. Aqueles são os novos, com a história da civilização atual; aprendemos a fabricá-los e gravá-los.
— O que me intriga é que todos tenham chegado até nós.
— São indestrutíveis. A liga que os compõe uma vez que esfria emite nêutrons tornando-se um novo metal, o material mais estável do Universo. Nada pode destruí-los, nem mesmo a explosão de uma supernova.
Como sabe disso?
— Informação dos discos. Sabe-se lá como, eles fizeram experimentos e descobriram isso. Sabendo que chegaríamos a eles, gravaram as informações para aprendermos a fabricá-los.
— Lá eles dizem como surgimos no Universo?
— Somos quase tão antigos quanto ele. O primeiro planeta a se solidificar após o Big Bang gerou vida e nós fomos a coroa da criação.
— Parece linguagem bíblica.
— E é. Os conceitos contidos na Bíblia surgiram conosco. Apenas nos lembramos deles, criamos uma nova religião para difundi-los e em breve nos surpreendemos matando e torturando para impô-los aos outros. Curioso como usamos o mal para propagar o bem.
— Em última análise, o mal é um instrumento imperfeito do bem, seguindo o raciocínio destas pessoas.
— Mas será que é um instrumento válido? Será que não poderíamos prescindir dele, concentrando-nos em propagar o bem pelo bem? Será que não é suficiente?
— Essas questões vêm daquela época?
Sim. Milhões e milhões de anos.
— E continuam sem resposta. Pelo menos para as massas.
— É, meu amigo Watus. O bem e o mal podem ser forças antagônicas ou diferentes pontos de vista.
— Como assim?
— Digamos que um homem morra. Morrer é o mal para ele, não é?
— Justamente.
— Mas é o bem dos microrganismos e dos vegetais que se alimentarão dos seus restos mortais. Já reparou como as árvores de cemitério sempre eram as mais vistosas?
— Ainda não estou convencido.
— Digamos que você consiga um emprego; é o bem pra você, não é?
— É claro.
— Mas para aqueles outros candidatos que não conseguiram é o mal deles, não é?
— Nunca pensei nisso desta maneira. Parr, estas ideias estavam nos discos?
— também são daquela época. Apenas são convenientemente esquecidas para que se possa manipular melhor as massas.
— Vai esquecê-las também?
— O momento não é para isso. Esqueçamo-las agora e o nosso futuro será nulo. Em determinado momento no porvir serão novamente esquecidas.
— E então recomeçará o círculo...
— E vários “avatares” virão ao mundo para divulgar essas verdades, e os homens lhes darão ouvidos; então seus seguidores se enfrentarão e guerrearão tendo como estandarte a sua própria interpretação da verdade. O ciclo então recomeçará.
— E um novo planeta será necessário.
— Às vezes me pergunto se não somos uma espécie de mecanismo que não deixa que o Universo evolua.
— Isso não é meio pessimista?
— Pessimista? — riu Parr. — Watus, olhe em torno de si e verá que nenhum pessimismo seria capaz de conceber esta tragédia planetária.
— Ainda tem café? Esta discussão filosófica foi demais pra mim.
— Vamos aproveitar que é um dos últimos que beberemos em muito tempo.
— Vamos lá, Parr. — deu-lhe um tapinha nas costas. Vamos aproveitar.
Mais tarde na nave, Parr estava sentado na ponte de comando olhando para a nossa Terra no caminho do Sol em expansão; um espetáculo deprimente que o levou às lágrimas.

Bairan-Kara-Ula é uma aldeia do Tibete, que como o resto do país está sob o domínio da China; lá foram encontrados num cemitério antigo, ossadas de seres semelhantes ao homem, de seres humanos e de outros claramente hibridos. Os citados discos possuíam inscrições que foram traduzidas e contavam a história de um povo que ficou preso na Terra e deixou descendentes com os humanos do povo dropa, que ainda habita aquelas paragens, O mais é licença poética. Mais informações na internet.

Um Dia...




     Um dia eu tive um cavalo. Ele saltou para cima de mim quando abri um livro. Perguntei-lhe quanto tempo havia passado escondido ali, adormecido e esquecido: ele simplesmente não respondeu.
     Um dia eu tive um cavalo. Ele tentou se tornar denso para que eu o montasse, mas não pude cavalgá-lo: ele era sutil demais para isso.
     Um dia eu tive um cavalo. Eu me tornei essência, tão puro quanto os meus sentimentos. Montei nele e cavalgamos por vales e montanhas, atravessamos riachos e as gotículas de água encharcavam aos poucos nossas peles.
     Um dia eu tive um cavalo. Tornamo-nos tão intangíveis que as esperanças nos envolveram em seus mantos, o mundo era denso demais para nós, tanto que nos misturamos à natureza, até que voltamos para o livro. E então a história passou a ser outra história, com outro nome. E o cavalo dizia nessa história:
     —Um dia eu tive um dono.

O Sábio


O Sábio

     Um sábio estava sentado em uma pedra olhando para o céu. Um rapaz se aproxima e pergunta:
     — Senhor, o que é o amor?
     — Meu filho, amor é carinho, companheirismo, é vontade e sentir prazer em estar juntos, dividir os problemas, trocar de experiências, fidelidade, ajudarem um ao outro, compartilharem as alegrias e acima de tudo, amizade profunda e respeito um pelo outro.
     — Mas por que o senhor está chorando? – indagou o rapaz, surpreso.
     — Porque a pessoa que eu amava não está mais comigo.
     O rapaz agradeceu e se retirou, sabendo que quando passasse de novo por ali, talvez aquele homem sábio já estivesse reunido com a pessoa que ele tanto amara, onde quer que ela esteja; e a pedra, novamente vazia, lhe serviria eternamente de lembrança daquele amor que ele não presenciou, mas que mesmo assim, mostrou-lhe a sua força.

Nick

Entretido com os soldadinhos de chumbo, Nick nem se apercebia da movimentação da casa. Passara a noite velando o sono de Gwen, sua cadela de estimação. Era uma collie já idosa, herança de seu irmão mais velho, Henry, desaparecido na guerra. Foi tudo o que restou dele, expulso de casa em virtude de sua desobediência e insolência. O pai, um inglês já idoso e muito conservador, quis mandá-lo cuidar dos seus negócios na Índia para afastá-lo do exército; Henry, por sua vez, queria ser militar a todo custo. Então discutiram muito e o rapaz disse palavras duras, às quais o pai respondeu com a ordem de que ele esquecesse o endereço daquela casa. Henry então se alistou e a guerra foi declarada logo após. Mandou uma carta para a mãe revelando que iria ao front tão logo terminasse o treinamento.
James permaneceu indiferente no início ao sofrimento da esposa, mas logo caiu em si. Daquele momento em diante, jamais teve saúde novamente: entrou numa espiral de doenças e depressão que finalmente o levou à morte, seis meses após a declaração de guerra.
Tudo isso já seria suficiente para arrasar uma criança, mas Nick segurou-se como pôde. A abundância de brinquedos deu-lhe mais coisas em que pensar. Além disso, havia Gwen. Mas e agora que ela estava morrendo, como seria a sua reação?
A mãe continuava ali, de preto como toda boa viúva, observando as brincadeiras de Nick, procurando o segredo de tanta abnegação.
Agora que Martha não tinha mais marido, os pretendentes, chacais que lhe cobriam de presentes, gracejos e mimos, multiplicavam-se. Não tinham o menor respeito pelo seu luto.
Martha era uma bonita mulher, alta, cabelos negros cacheados, olhos azuis e rosto fino como uma estátua grega. O corpo era escultural e suas formas várias loucuras causaram, como a do rapaz que se lançou ao Tâmisa de um pequeno barco, pois não conseguira conquistá-la. Ela era trinta e cinco anos mais jovem que o marido, mas eternamente apaixonada por ele. No princípio, casara-se porque acreditava que sendo mulher, teria dificuldades em administrar a herança do pai. Lembrava-se como se fosse hoje dos olhos de um azul penetrante que inicialmente a viam como uma bela órfã, mas que em breve lhe dedicariam o mais terno amor.
Em breve também ela o amaria. Aquele homem mais rico que ela se arriscou ao maldizer e escárnio por se casar com uma mulher mais jovem, somente para salvá-la de perder toda a sua fortuna, que passaria automaticamente à administração do tio, Eidar Fury, um redemoinho onde muitas fortunas naufragaram inapelavelmente.
Mas agora James se fora e o último bastião de tranquilidade da família, a cadela Gwen, também ir-se-ia.
Nick, aparentemente indiferente a tudo, brincava. Martha observava absorta a atitude do filho, sem perceber que ele havia separado do grupo de soldadinhos três soldados e um oficial, e agora um cavalo. Quando ele derrubou o cavalo com o dedo ela prestou mais atenção ao pequeno grupo e percebeu que agora apenas dois restavam de pé. Os outros foram envolvidos cuidadosamente em pedaços de papel e colocados à parte, cobertos com o edredom, dobrado milimetricamente para isso.
Subitamente, Nick dirigiu o olhar para ela, que ficou incomodada com o fato. Diante da imobilidade do filho ela se sentia cada vez mais angustiada, mas sem forças para desviar o olhar.
— Agora só nós dois ficamos, não é mamãe? Você também vai embora? — perguntou, os olhos marejados de lágrimas.
Aquilo pareceu uma ordem para abrir as comportas de uma represa: todas as lágrimas que ela não conseguira derramar agora eram uma torrente que se espalhava dos olhos à blusa, formando uma mancha de molhado como uma gravata num tom mais escuro do preto da roupa. Teve que escolher entre agarrar e beijar o filho e atender ao chamado do mordomo que anunciava a chegada de visitas.
Entrou na sala e estacou lívida como um cadáver, como houvesse visto um fantasma. Ali à sua frente estava barbudo e um pouco envelhecido, o seu filho Henry, chorando abraçado a Gwen, que lenta e inexoravelmente recobrava as forças. Mortimer, o jardineiro bonachão, que estava se preparando para enterrar o animal, esfregava os olhos sem conseguir acreditar no que seus olhos viam: Gwen miraculosamente recusava-se a morrer, e ainda levantava-se para abraçar à moda dos cães o retornado dono.
A mãe não se conteve e correu para os braços do filho, abraçando-o, beijando-o, querendo desesperadamente sentar-se e deitar-lhe a cabeça em seu colo para acarinhá-lo eternamente, para que ele jamais se separasse novamente dela.
Henry chorava de contentamento de rever a mãe, ao mesmo tempo em que ria das atitudes de mãe que ela tomava com uma criança que agora só existia na sua mente.
Dado como morto, Henry voltou.
Nick estava em pé, pondo as mãos no irmão e na mão e dizendo para si mesmo:
— Calma, agora tudo vai ficar bem.

Mata



      Era um mundo novo. Penetrei nele como um intruso. Não me era possível dizer se minha presença causava mais medo ou curiosidade. A cada passo, galhos quebrados, farfalhar de folhas, minúsculos pescoços infiltravam-se pelos arbustos e viam a minha figura, sumindo rapidamente.
      Não sabia se aquilo me causava a sensação de aceitação, ou de ser um monstro em meio àquele mundo ínfimo.
      O vento quase sulcava meu rosto, de tão gelado.
      Depois de passar horas apreciando aquelas árvores e aqueles animais que agora me olhavam com indiferença, pude ter a certeza de que o homem é insignificante para a natureza.

Espera



  Fica-me difícil, às vezes, escrever sobre algum assunto. Meu lápis ou caneta destampa-se, ameaça escrever, hesita, entrega-se a suas duas dúvidas: se deve escrever ou não, ou se deve fazer greve e sair dos meus dedos.
  Certas vezes tive a vaga impressão desta última dúvida: em vez de cumprir seu dever, a caneta batia insistentemente contra o papel, como a castigá-lo por estar em branco. Cada vez mais inquieta, ela parecia estar à beira de um colapso nervoso.
  Outras vezes, surge quando menos espero um romance vulcânico entre a caneta e o papel. Mas em outras oportunidades eles brigam tão insistentemente e tão furiosamente, que tudo se resume apenas em fechar o caderno com medo de ser atingido por algum destroço de sua guerra particular.
     Neste momento, eles estão como em lua-de-mel: cada vez mais unidos. Penso seriamente se conseguirei separá-los para encerrar o texto, já que tudo está saindo tão fluentemente e eles não parecem querer separar-se. Sinto-me um criminoso.
 Mas aconteceu: ela deixou a minha mão e foi unir-se ao seu amado sobre a mesa.
  Gostaria que ela desse um pouco mais de atenção a mim, sem deixar seu namorado com ciúmes. Que ela escrevesse para mim sobre um assunto qualquer, para que eu não passe por omisso. É melhor não forçar. Esperarei ansioso e pacientemente por uma faísca, um sinal de sua atenção, pelo momento em que ela voltará aos meus dedos e escreverá duas, três, quatro folhas.
  Quem sabe um dia...

Encontro




  Passaram-se dezoito anos e finalmente o encontrei. Ele estava ali, num canto escuro do parque, recolhido aos seus receios.
  Várias vezes mostrei-lhe meu rosto e as curvas de felicidade ressaltadas pela pouca luz de um poste. Minha face infantil o impressionou, pois nenhuma ruga adentrava-me a pele, nada lhe dava a mais vaga noção de envelhecimento e tristeza.
  Era o rosto de seus sonhos, pois já havia me visto em todos eles. Eu era saído dos seus desejos mais profundos.
  Cheguei-me a ele, toquei seu rosto e demonstrei-lhe com uma expressão de carinho no rosto (disse-lhe também que era hora de sermos um só) e que a partir daquele momento, ele não seria mais tão pequeno e fraco, seria forte como eu.
  Ele me disse que sentiu que eu lhe era familiar. Já havia sentido aquela minha presença várias vezes, embora ela sempre se desvanecesse.
  Meus dedos desceram para seu ombro e outros da outra mão no outro ombro vieram logo imitá-los. Sentiu o abraço cálido eletrizar seu corpo, apertando seus ossos até despontar a dor.
  Novamente meus dedos penetraram em seus cabelos, acariciaram sua cabeça num gesto paternal, enquanto a outra mão puxava-o cada vez mais para junto de mim. Gradualmente o absorvia, ele era quase parte de mim agora.
  E minha voz invadiu seu ouvido, perguntando se ele se sentia mais seguro.   
  Ainda pôde murmurar:
   — Eu te amo.
  Virei-me e gradualmente segui meu caminho, deixando atrás de mim a lembrança do outro eu que deixou de existir. A cada passo me senti mais convicto de que agora sou completo e feliz. A minha personalidade se consolidara.


O Canto do Cisne de Amarícia


  Saio para o planeta, certo do que encontrarei: desolação. A escotilha se fecha atrás de mim, emitindo o seu silvo característico e causando o estremecimento esperado. Se nada se houvesse passado, uma estrutura dessas e uma porta tão pesadas não seriam necessárias. Mas hoje, se não fossem elas, a vida aqui seria impossível.
  Várias vezes me perguntei: por que fizemos isto? Arrogância e orgulho são possíveis, ambição e intolerância são certas. Amarícia foi um verdadeiro paraíso, florestas a cobriam, animais belíssimos a habitavam, todos eles ímpares no universo e aqui estavam para quem quisesse testemunhar as suas maravilhas. Tudo perdido. Várias espécies jamais catalogadas, assim como as que o foram, hoje estão irremediavelmente perdidas. São passado nas lembranças do seu último habitante, eu.
  Enquanto aguardo o cargueiro que me levará para a sede da confederação galáctica onde serei exibido como o último espécime de um animal extinto, resolvi passear pelo meu finado planeta. Ando pelas ruínas com moderação, pois a cada elevação há um novo espetáculo a se descortinar. Amarícia, aquela que foi chamada de “Joia do Universo”, atrevo-me a denominá-la “Cloaca do Universo”, tamanha a quantidade de sujeira física e moral que aqui se derramou. É particularmente triste para mim, pois aqui nasci e cresci, mas não pretendo morrer. Por cinco longos anos mantive-me em reclusão para que não fosse encontrado, mas um sinaleiro que disparei acidentalmente me denunciou. Não houve jeito de disfarçá-lo, pois os scanners de vida foram para cá dirigidos, e como eu era a única forma de vida restante, o universo teve conhecimento de que Amarícia não estava totalmente morta.
  Não sei como me deixei convencer de que teria uma vida melhor lá fora, como poderia voltar a encarar outros seres que não os meus compatriotas? As limitações de ordem estética me seriam ferozes adversárias. Nós amaricianos temos uma dobra de pele na testa que se assemelha a uma tromba. Vítimas de escárnio de várias outras espécies lá fora, fechamo-nos em um nacionalismo exagerado que foi se transmutando em orgulho, xenofobia, agressividade e por fim, um espírito expansionista que eliminou as nossas nações, a natureza e o planeta em si. Tudo isso aconteceu por causa da terrível e hedionda probóscide, que tanto mal causou às nossas crianças e até aos adultos. Nossos estudantes eram discriminados nos outros planetas da Federação, nossas crianças tinham sempre apelidos jocosos como “elefante”, “esguicho” ou “snorkel”, não apenas no meio das outras crianças, mas também no meio dos adultos.  Seria mais que natural que desenvolvêssemos o medo de contato com outros seres.
  Mas o medo se estendeu aos nossos semelhantes e logo se converteu em ódio. O que começou com um constrangimento ilegal e grosseiro se tornou a semente do porvir. Crianças praticamente nasciam com o ódio herdado dos seus pais por outras espécies e mesmo pela nossa própria; foi quando começaram os “cídios”: parricídios, fratricídios, matricídios, homicídios, suicídios e finalmente genocídios.
  O nosso planeta, onde era um crime hediondo destruir a natureza qualquer que fosse o motivo, tornou-se uma espiral terrível, um verdadeiro buraco negro que tragava vidas como se uma mágica as levasse para um lugar secreto; esses crimes que jamais tiveram solução tornaram-se banais a ponto de não merecerem nem ao menos uma menção nos noticiários.
  Então mergulhamos no expansionismo, buscamos aplacar o nosso sentimento de inferioridade dominando outros planetas pela força, mas isso se virou contra nós: começaram a nos mover guerra, determinados a exterminar-nos do seu convívio. Foi nessa época que começamos a ser conhecidos como “A Praga do Universo”.
  O cargueiro chegou. Há muitos anos, essa chegada seria confundida com uma expedição de conquista, mas hoje senão extemporânea, seria pelo menos inútil: conquistar uma poça de lodo e cinzas não figuraria bem na biografia de nenhum general ou presidente. Amarícia é um ponto negro num espaço já demasiadamente negro; um dejeto flutuante que nem de muito longe reflete a opulência e a “glória” do seu passado. É curioso falar em glória quando aqui ela foi tão deturpada a ponto de alguém ser festejado por arrasar cidades inteiras ou matar a própria mãe.
  O ansioso e amedrontado comandante, secundado por pelo menos uma dezena de soldados abordou-me dizendo:
  — Nome e posto, por favor.
 — Poupe o seu tempo, comandante. Sou civil.
  As minhas palavras desvaneceram os seus receios e deram lugar a uma estranheza sem par. Ele era humano, acostumado a entrincheirar-se em vários pontos do universo contra nós, mas nunca em toda a sua carreira militar havia visto um amariciano civil.
  — Não existem amaricianos civis. A sua espécie se organiza socialmente dentro de um regime militar. –  retrucou.
  — Esqueça os seus conhecimentos de academia, comandante. Posso lhe assegurar que sou civil, mesmo por que forçosamente assim teria me tornado, uma vez que no presente momento não há mais exército algum aqui para se pertencer. Somente ruínas e matéria que não se decompõe por não terem restado nem mesmo bactérias para fazer a  decomposição.
  — Acompanhe-me até o cargueiro, por favor, disse ele, girando nos calcanhares e dirigindo-se ao veículo.
 Aquela atitude que tanto me envergonhava na minha espécie me era estranhamente aceitável vinda de um humano.
 Enquanto viajávamos, eu me perguntava sobre o que aconteceria agora. Será que eles me matariam, ou será que eu seria o bichinho de zoológico que eu esperava me tornar?
  — Como pode um da sua espécie ser civil? — inquiriu-me o oficial.
 — Eu vivi muitos anos em outros planetas como embaixador antes da loucura militarista tomar conta do meu planeta. Expulso de cada um deles quando se declarava guerra, sempre tinha um novo destino antes que pusesse os pés na minha terra querida. Não testemunhei tudo que aconteceu por lá. Decidi que deixaria o meu exílio voluntário e retornaria ao meu planeta para lá morrer, exposto às radiações mortais que a guerra nos legou. Mas não tive coragem de fazê-lo. Bastaria uma escotilha esquecida aberta, uma descontaminação não feita num retorno, para que tudo se consumasse. Decidi que deixaria a minha morte a cargo do acaso, de um esquecimento mortal.
 — Então não sabia que eles se eliminaram?
   — Somente tive conhecimento do que sucedeu pelos arquivos do governo, que acessei muito tempo depois de retornar.
  — Guarde as suas forças para quando chegarmos à Terra, senhor. Terá muitos compromissos por lá. Descanse. — disse-me o comandante, com um ar quase paternal.


 
     Devo ter dormido por uns quatro dias, acordando à força quando já me encontrava em aposentos mal iluminados entre lençóis macios e perfumados, o que me fazia pensar sobre que espécie de seres seriam os humanos. Tratavam com todo aquele desvelo uma raça que quase os exterminou do universo? Por quê?
     A porta se abriu e um homem dirigiu-se a mim. Era negro, com uma idade avançada, parecia-me vagamente familiar. Seu olhar perscrutou-me de alto a baixo. Quando falou, reconheci de imediato a sua voz: nenhuma luz faria meus olhos reconhecerem melhor a imagem de alguém do que os meus ouvidos reconheceram aquela voz. Era ele: o meu falecido amigo Frank Loomis, o cientista que evitou em missão diplomática ao meu planeta, que a nossa destruição fosse perpetrada mais cedo, pelo menos dez anos antes. Ele foi assassinado no palácio presidencial pouco antes da guerra final. Como pode ser? É impossível! Balbuciei alguma coisa:
  — Frank, você está morto! Eu também devo estar, por isso o estou vendo. — Disse antes que ele me interrompesse:
  — Lundre, meu amigo! Fico feliz em tê-lo encontrado. Nunca perdi a esperança, embora todos me dissessem que era inútil a minha procura. Eu não estava lá realmente. Havia um projeto do nosso governo que produziu clones controlados à distância que se comportavam exatamente como se fôssemos nós mesmos. Mataram o meu clone, mas eu continuei vivo. Busquei por você, certo de que o encontraria. Bem vindo!
  — É tarde agora para mim, amigo. A minha espécie já não existe mais. Eu sou o último amariciano vivo. Queria continuar assim e encontrar a morte em meu planeta natal. Estou muito triste desde a guerra.
  — Tenho uma surpresa para você, amigo. A sua espécie não está extinta. Não mais. Veja isso. Cer!
     A porta se abriu e vi, andando elegantemente, a fêmea que vira uma vez rumando para a Terra, no espaçoporto de Trimnos. Ela me parecera muito educada e diferente do meu povo. Cheguei mesmo a suspeitar que fosse uma mestiça, mas qual espécie seria capaz de produzir híbridos conosco, devido à nossa forma de reprodução tão peculiar? Afastada a ideia, deixei que o esquecimento levasse aquela cena, pois o que mais havia em minha cabeça eram problemas e preocupações. Nunca mais pensei ou me recordei disso até agora, até esse encontro singular: os dois últimos exemplares de uma espécie quase extinta se defrontavam e se olhavam totalmente curiosos. Ela se aproximou de mim delicadamente, roçou o seu rosto no meu aspirando o ar com sensualidade como se quisesse me sorver juntamente com o ar em torno. Então me tocou nos ombros, me acariciou o rosto e pôs a mão no topo da minha cabeça, o sinal de aceitação do macho pela fêmea. Neste momento disse, com a voz embargada:
  — Está no período, professor. Eu o quero.
  "O período", era como chamávamos a fase de vida sexual ativa na minha espécie.
  Caminhando com dificuldade, retirou-se da sala, pois não seria agradável, mesmo para um cientista, que presenciasse um acasalamento amariciano.
  — Fra (assim eu o chamava, seguindo a costume do meu povo de reduzir todos os nomes a três letras, herança da nossa língua ancestral, que assim construía o seu vocativo) venha cá. — disse eu, a que ele atendeu prontamente, como sempre fazia com os seus amigos.
  — O que foi Lun? — disse ele, demonstrando que absorvera o nosso costume.
  — O que você pretende com isso? — inquiri curioso e amedrontado.
     — Recompor a sua espécie, em bases mais humanas. — curioso ele utilizar aquela palavra que eu sabia querer dizer suave, igualitário, pacífico, mas que tem uma curiosa antítese no fato do ser humano só perder em potencial destrutivo para a minha própria espécie. Eles sempre a utilizavam quando queriam dizer que uma maneira era melhor do que outra, mas na realidade o conceito era completamente dissociado da realidade dos fatos.
  — Ela está pronta. Você a quer? Você a aceita? Ela quer o desafio, só falta a sua aquiescência para começarmos o processo.
  — Fra, você terá problemas com o governo da Terra. Você sabe que a minha espécie não se prende a valores morais como parentesco, e o acasalamento entre parentes é frequente e mesmo quase exclusividade. Neste caso então, que não há mais outros indivíduos para o acasalamento, seremos forçados a isso.
     — O governo está resolvido a passar por cima destes impedimentos em nome da preservação. Vocês poderão ter quantos filhos quiserem e se acasalar com eles e eles entre si sem medo.
     — Temo que viver aqui neste planeta desencadeie o processo que nos levou à destruição novamente. Os seres humanos são historicamente culpados dos mais atrozes atos de preconceito e provavelmente o serão novamente.
  — Não tema. Temos um planeta recém-descoberto que se encaixa plenamente nos seus padrões e estaremos sempre perto para ajudar quando for necessário. A minha equipe foi escolhida pessoalmente por mim e representa a parcela mais abnegada da espécie humana. Tenho certeza de que vocês se darão bem.
  — Tem certeza, Fra? — a esperança mais uma vez me invadiu, como não via há muitos anos.
     — Somente nós teremos contato com vocês. Estarão seguros.
     Apertei-lhe a mão confiante e esperei que se retirasse para então ver a fêmea ansiosa entrar na sala e como uma serpente deslizar até mim. Repetiu o ritual que era de costume, e com um gritinho, postou-se ao meu lado no catre.
     Estremeci quando me abraçou e abrindo-me a boca pôs a sua sobre a minha para o ato. O que os seres humanos chamariam de beijo era na realidade a nossa relação sexual, sendo bem menos chocante nos movimentos do que a deles. Apenas um detalhe era chocante: a perda de uma quantidade de sangue que para um ser humano seria a morte, para nós era um indicativo de que o ato cumprira o seu papel.
     Ela inseriu a sua língua em minha boca em busca da minha língua, para trazê-la para a sua. Quando a encontrou, veio delicadamente acariciando-a e puxando para fora, até que finalmente as nossas línguas adentraram a sua boca, rumando para os seus órgãos sexuais pelo Tubo de Prem (Prembunid), o duto que ligava a boca aos órgãos sexuais. Lá depositei o meu gameta, e terminado o ato, descansamos para que ela pudesse ser fecundada. Adormeci por horas, acordado apenas pela sua mão carinhosa que me dava pequenos e agradáveis beliscões na pele (o carinho amariciano).
  — Você acredita que seja necessária uma segunda tentativa? —perguntei.
  — Não. O seu gameta está morto. Você é infértil. Não acredito que haja outro vivo dentro de você. — disse em tom grave.
  Se eu fosse humano, teria ido às lágrimas: meu povo tinha um pronunciado controle das emoções (as boas, ao menos).
  — Então o nosso destino é mesmo desaparecer do Cosmos. Há uma fêmea pronta para o acasalamento, mas não há um macho capaz de fecundá-la. A nossa espécie acabou. Nem ao menos existe outro macho vivo para que eu tome o seu aparelho reprodutor e o faça meu. É o fim.


 
  No dia seguinte recebi a visita de Fra, dizendo que Cer (Certa era o seu nome) havia gostado de mim e partiria de bom grado comigo para o planeta. Embarcamos então com a equipe na nave que nos levaria a ele, forçando sorrisos (mais uma coisa que aprendemos com os humanos). Estranhei uma enorme valise que ela carregava, mas não toquei no assunto, distraído pela movimentação.
  Ela se virou e segredou-me ao ouvido:
  — Estou feliz por viver o resto dos meus dias com você.
  — Presa em um planeta selvagem com um macho infértil para o resto da vida? Está brincando comigo.
  Ela deu de ombros, outra coisa que aprendemos com os humanos, sorriu e virou-se para o outro lado. Dormiu até chegarmos, quando saltou do assento como um animal. Puxou-me direto até os nossos aposentos, enquanto me acarinhava e sorria sinceramente. Estava feliz e eu nem desconfiei por que. Quando puseram as malas e a enorme valise no quarto, ela rapidamente os despachou, fechando a porta.
  — Por que toda essa felicidade? Chegamos à nossa prisão eterna e você está feliz? Não conviveu demais com os humanos? Loucura não afeta os amaricianos.
  Então ela pegou a valise e abriu: antes que eu pudesse ver o seu conteúdo, o cheiro agradabilíssimo invadiu as minhas narinas: eram ovos, trinta e seis deles, e com uma cor ótima. Qualquer amariciano reconheceria aquele perfume, mesmo que jamais o houvesse sentido: era o cheiro da vida recomeçando. Eu os acariciei cuidadosamente, sorrindo para ela, que me olhava curiosa por julgar que eu não era capaz de sorrir verdadeiramente. Então o seu próprio sorriso voltou mais forte e brilhante do que nunca.
  — Você me desculpa por mentir para você?
   — Foi mesmo uma mentira?
 — Não, foi uma proteção contra qualquer espião infiltrado. Conheço todos os homens que vieram conosco. Convivo com eles desde que vim para a Terra naquele dia que lhe encontrei no espaçoporto. São confiáveis e estão realmente dispostos a nos ajudar a recomeçar. Precisamos esconder os ovos antes que venha uma nova postura, quando daremos conhecimento a eles. Mas esta será cuidadosamente protegida de olhos estranhos.
  — Esta prudência toda você também aprendeu com as mulheres humanas?
   — Meu pai era humano. Sou mestiça.
 Aquela declaração me pegou de surpresa. Havia então uma esperança para nós? Híbridos humano-amaricianos encheriam o cosmos? Então me surgiu uma dúvida: como podem híbridos ter filhotes férteis?
 — Sei o que está pensando. Provavelmente em um tempo remoto o cruzamento entre as espécies tenha sido frequente, pois descobrimos que humanos e amaricianos são aparentados. Talvez isso tenha garantido que chegássemos aos dias de hoje, tanto nós quanto eles.
  — Mas um humano jamais teria se sujeitado a se unir a outra raça e ter filhotes diferentes dele!
  — Meu pai me ensinou o que de melhor havia na condição humana: os doces sentimentos, entre eles o supremo: o amor. Por ele os homens são capazes de qualquer coisa. Meu pai dizia que o amor, depois do ser que criou o universo, era a força mais poderosa que existia. Foi por amor que aceitei unir-me a você. Eu o amei desde aquele dia em que o vi no espaçoporto. Estava desanimada com a possibilidade de ter que viver com um macho desconhecido, mas quando vi as suas imagens aceitei prontamente. Fra já sabia que nos conhecíamos, e ficou feliz ao me dar as imagens.
  Olhei para ela e desatei uma crise de choro como jamais uma amariciano experimentou, mas que agora seria cada vez mais frequente: não um choro de tristeza como impusemos às outras espécies, mas de felicidade.

sábado, 16 de junho de 2012

Oi gente! Boas notícias. Pretendo participar do Concurso Literário da UFF. Um conto com o título "O Contador de Histórias" já saiu do forno e publicarei na próxima semana. Tchau!