Passaram-se dezoito anos e finalmente o
encontrei. Ele estava ali, num canto escuro do parque, recolhido aos seus
receios.
Várias vezes mostrei-lhe meu rosto e as
curvas de felicidade ressaltadas pela pouca luz de um poste. Minha face infantil
o impressionou, pois nenhuma ruga adentrava-me a pele, nada lhe dava a mais
vaga noção de envelhecimento e tristeza.
Era o rosto de seus sonhos, pois já havia
me visto em todos eles. Eu era saído dos seus desejos mais profundos.
Cheguei-me a ele, toquei seu rosto e
demonstrei-lhe com uma expressão de carinho no rosto (disse-lhe também que era
hora de sermos um só) e que a partir daquele momento, ele não seria mais tão
pequeno e fraco, seria forte como eu.
Ele me disse que sentiu que eu lhe era
familiar. Já havia sentido aquela minha presença várias vezes, embora ela
sempre se desvanecesse.
Meus dedos desceram para seu ombro e
outros da outra mão no outro ombro vieram logo imitá-los. Sentiu o abraço cálido eletrizar seu
corpo, apertando seus ossos até despontar a dor.
Novamente meus dedos penetraram em seus cabelos, acariciaram sua cabeça num gesto paternal, enquanto a outra mão puxava-o cada vez mais para junto de mim. Gradualmente o absorvia, ele era quase parte de mim agora.
Novamente meus dedos penetraram em seus cabelos, acariciaram sua cabeça num gesto paternal, enquanto a outra mão puxava-o cada vez mais para junto de mim. Gradualmente o absorvia, ele era quase parte de mim agora.
E minha voz invadiu seu ouvido,
perguntando se ele se sentia mais seguro.
Ainda pôde murmurar:
— Eu te amo.
Virei-me e gradualmente segui meu caminho,
deixando atrás de mim a lembrança do outro eu que deixou de existir. A cada
passo me senti mais convicto de que agora sou completo e feliz. A minha personalidade se consolidara.
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